A extinção dos piraquarenses, a ilusão do "55" e os R$ 100 milhões que não chegaram aqui
Enquanto Curitiba ganha mais um hospital milionário com a bênção do Palácio Iguaçu, Piraquara segue entregando água e votos em troca de promessas vazias. A parceria é forte para quem?

A propaganda da prefeitura de Piraquara é bonita de se ver. O grupo que comanda a cidade adora estufar o peito para dizer que faz parte do "Time 55", que tem linha direta com o Palácio Iguaçu e que a parceria com o governador Ratinho Junior é um sucesso absoluto. Mas na política, parceria de verdade não se mede com foto sorrindo em época de eleição; se mede com tijolo, cimento e repasse de verba. E quando olhamos para a saúde, a dura realidade bate à porta: a força política do 55 municipal é um leão miando fino.
A prova mais recente e dolorosa dessa irrelevância política veio semana passada. Como "presente" de aniversário para a capital, o governador Ratinho Junior anunciou a construção do novo Hospital Bairro Novo, em Curitiba. Um investimento massivo de R$ 100 milhões, com direito a 235 leitos, UTI e estrutura de ponta. Mais um para a conta da capital.
Quando abrimos o mapa de investimentos do Estado, o abandono de Piraquara fica ainda mais escancarado. A gestão estadual promoveu a maior reestruturação hospitalar da história do Paraná, despejando mais de R$ 1,2 bilhão na saúde. A nossa vizinha Pinhais recebeu um complexo de R$ 126 milhões. Colombo está com obras avançadas de R$ 62,5 milhões. Até Rio Branco do Sul ganhou um hospital de R$ 22 milhões.
E Piraquara? Uma cidade com mais de 100 mil habitantes continua sendo sumariamente deixada de lado. Não temos NENHUM hospital.
O resultado dessa inércia política local é trágico e silencioso: os piraquarenses estão em rota de extinção. Sem uma maternidade, não se nasce mais cidadãos naturais de Piraquara. Nossas grávidas precisam pegar a estrada e peregrinar por cidades vizinhas no momento mais importante de suas vidas. É humilhante.
A grande pergunta que fica é: por que somos escanteados? Nós já pagamos um preço altíssimo, sendo limitados economicamente por proteger as áreas de mananciais que dão de beber justamente a Curitiba — a mesma Curitiba que acaba de ganhar mais um hospital de R$ 100 milhões. O mínimo que o Estado deveria devolver em compensação ambiental e social era uma estrutura digna de saúde para a nossa gente.
Se a gestão municipal é tão forte e tão alinhada com o governo estadual como diz ser, por que não consegue trazer o básico? A verdade é que a parceria parece ser de mão única. Piraquara entrega os votos, entrega a água, e em troca recebe tapinha nas costas.
Está na hora de repensarmos quem realmente tem força, independência e coragem para bater na mesa do governador e exigir o que é nosso por direito. Porque enquanto o "Time 55" local comemora curtidas no Instagram, nossos vizinhos comemoram hospitais novos.
